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Preço do gás de cozinha aumenta 15% no Ceará em um ano

Publicado dia 29/07/2018 às 13h59min
2º mais caro do Nordeste | Com valor de R$ 71,83, o botijão com o valor mais alto do Estado se encontra em Maracanaú e o mais barato em Juazeiro do Norte

Custo importante no orçamento familiar, o gás de cozinha teve aumento no preço de 15,05% nos últimos doze meses no Ceará, no período de junho de 2017 a maio deste ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No Brasil, os reajustes médios para o consumidor variaram entre 26,29%, no Maranhão, a 6,70%, no Amapá em igual intervalo.

Neste mês, o preço do botijão no Estado atingiu a média de R$ 71,83. O valor é o segundo mais caro do Nordeste, atrás de Sergipe (R$ 76,30), e o 12º maior do País. A média mais alta no Ceará está em Maracanaú (R$ 75,69), seguida de Fortaleza (R$ 75,39), e a mais barata fica em Juazeiro do Norte (R$ 65,50).

 

Segundo O POVO noticiou em maio deste ano, famílias cearenses voltaram a usar carvão após alta do gás. Os dados de 2017 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 23,4% dos lares cearenses usam carvão ou lenha para cozimento de alimentos.

 

Os reajustes têm um impacto relevante na renda e na capacidade de compra das famílias, sobretudo das classes BCD, avalia Ricardo Coimbra, mestre em Economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). "Para que possam manter a capacidade de consumo, acabam renunciando a outros bens". Outra medida é a busca por bens substitutos, como, por exemplo, trocar o consumo de carne por frango ou ovos. "O consumidor faz uma recomposição na cesta de alimentos", explica o economista.

 

Considerando a média de renda do cearense de R$ 1.100 e o preço do gás a R$ 71,82, o item representa 6,52% do orçamento. "Se a pessoa gasta quase 7% só com item relacionado com consumo, acaba que esse percentual é bastante significativo", destaca Ricardo. "Principalmente para quem perdeu emprego, está na economia informal, tem pequeno negócio, ou é um prestador de serviço e ganha menos que um salário", complementa.

 

A tendência, no entanto, é que o preço do gás estabilize, prevê Bruno Iughetti, especialista na área de petróleo e gás. Com a nova política de reajustes do gás de cozinha, implantada pela Petrobras em julho do ano passado, e o fim da subvenção ao produto, os preços se tornaram mais realistas, observa o consultor.

 

Ele pondera que os reajustes foram menores e com frequência maior, considerando o preço internacional e a variação cambial. "Na minha análise haverá queda de preços, porque o petróleo está em queda no mercado internacional e isso vai refletir no mercado nacional. Os ajustes serão feitos quando necessários, uma vez a cada 30 dias. Não irá oscilar mais".

 

Para a comerciante Marcianita Menezes, 35, o custo mensal com o gás de cozinha representa 20% do orçamento da família. É a quarta maior conta, depois de luz, água e telefone. O botijão, que era comprado ano passado a R$ 55, atualmente sai por R$ 75. Além de usar o gás para as refeições da família, Marcianita também prepara tapiocas para vender e 1kg de farofa todos os dias que serve de acompanhamento no churrasco para clientes. O reajuste do gás, porém, ainda não foi repassado aos produtos vendidos.

 

Inflação

As altas no gás ficam acima da inflação do País (2,97%), em 2017, e da prévia de Fortaleza acumulada no ano (2,65%) e também nos últimos 12 meses (3,14%) de 2018, contabilizada até julho.

Fonte: O Povo